Gamer Lifestyle

O blog do Fabão

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    Este é um blog sobre o estilo de vida gamer, o estilo de quem compreende os jogos eletrônicos como forma de arte, cultura, negócio e entretenimento; o estilo de quem joga, mas sobretudo de quem pensa os jogos; o estilo de quem se assume gamer, e vê nisso não um escapismo, mas um complemento a todos os outros aspectos e aspirações de sua existência serenamente revolta. Espere tópicos filosóficos, amenidades, discussões, polêmicas, opinião, tudo isso junto e nada disso também. Enfim, viva o estilo de vida gamer e venha aqui debatê-lo.
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Archive for the 'Internet' Category

Íntegras: Pensamento Metacrítico [GameMaster 41, 06/2008]

Posted by Fabão on 4th julho 2008

Íntegra do texto publicado na coluna Jogo Sério da GameMaster 41. E você, o que acha do Metacritic e similares?

Pensamento Metacrítico

Como os agregadores de reviews estão mudando a indústria

duas edições, aqui mesmo na minha coluna, insinuei como os sites Metacritic.com e GameRankings.com são inconvenientes para críticos de jogos. Basicamente, o que eles fazem é registrar as notas que os produtos recebem em análises e calcular uma média dessas pontuações. O Game Rankings compila reviews de jogos desde 1998 e o Metacritic estreou em 2001 e é o mais popular, já que também agrega notas de filmes, CDs de música, DVDs, seriados e livros. Há outros sites que fazem o mesmo, como o Rotten Tomatoes e o GameStats, mas a dupla em questão é a mais amplamente consultada para jogos eletrônicos.

Num primeiro momento, apenas os próprios críticos se importavam com esses sites, pois viam seu trabalho colocado num bacião para fins estatísticos. Depois a indústria passou a dar relevância para o recurso. Atualmente, uma quantidade de jogadores que não se pode ignorar cultiva o hábito de consultar o Metacritic e o Game Rankings para fazer suas decisões de compra.

Embora eu (e boa parcela dos críticos de jogos) considere esse pareamento nocivo para a profissão e margem para a banalização dos próprios jogos (pois implica que eles podem ser medidos por uma escala objetiva), é forçoso reconhecer que ele está moldando a indústria.

Não se vêem mais estampadas nas embalagens as frases de sites e revistas acompanhadas da boa nota, mas multiplicam-se os comunicados à imprensa que destacam a média do jogo no Metacritic. As ações de uma produtora podem cair (como no caso da Activision no lançamento de Spider-Man 3) ou subir (como as da Take Two na chegada de BioShock) com as pontuações obtidas no site. Desde 2004, a Warner Bros. usa o Metacritic como parâmetro para cobrar royalties de suas licenças. Não são poucas as produtoras que bonificam os desenvolvedores de acordo com as médias do Game Rankings (e não mais apenas segundo os números de vendas). Este ano, a Electronic Arts adiou alguns de seus jogos para oferecer mais qualidade, visando conquistar uma média agregada de 80 pontos ou mais no Metacritic (que foi de 72 em 2007). No final de maio, a Microsoft anunciou que vai tirar de catálogo jogos de Xbox Live Arcade com baixo desempenho – entre os fatores considerados, claro, a média do Metacritic: qualquer produto com pontuação abaixo de 65 é forte candidato ao corte.

É muito bom ver que as empresas estão cada vez mais preocupadas com a qualidade, e quem ganha com isso somos nós, jogadores. Porém, o crédito que se dá aos agregadores de reviews é desmesurado. Primeiro porque crítica não é ciência exata, não se mede com números, e muito menos a estatística pode ser o seu metro – justo ela que suprime cegamente todas as nuanças que são tudo para a arte. Segundo porque há conflitos ideológicos entre os veículos considerados: 6,0 para uns é algo acima da média, para outros é um desastre completo. Terceiro porque as análises são feitas com relativa pressa (mesmo que demorem semanas, em alguns casos), não sendo possível ter uma clara percepção histórica, uma noção de como a obra se coloca numa tradição. Quarto, e talvez mais importante, porque a simples existência dos agregadores distorce o que poderia ser considerado um valor médio, já que pode haver analistas preocupados em não se distanciar do consenso, adequando seu veredicto à média. Essa média, por sua vez, tende a gravitar muito próxima à expectativa que se tem do produto, o que faz dela uma medida de popularidade antes que de qualidade.

Essa última ressalva é motivada, em grande parte, pelo caráter habitual das prévias de jogos, mas sobre isso falarei em outra oportunidade. Por ora, fica a constatação de que, certo ou errado, a indústria de games está buscando uma vacina para evitar uma reprise do crash de 1983.

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Aviso: Novo feed [troque o velho, por favor]

Posted by Fabão on 10th junho 2008

Entre algumas modificações presentes e outras planejadas para o futuro, uma importante foi a troca dos feeds RSS (essas maravilhas da modernidade que entregam as novidades quentinhas para você, diretamente no conforto do seu agregador favorito). Dispensei os feeds capengas do WordPress em favor do notável FeedBurner, o que trará uma série de vantagens. Para quem recebe, na verdade, não muda muita coisa, aparentemente. Há uma ou outra microinformação que passa facilmente despercebida por nem ser tão relevante, mas o principal está por trás das aparências: com os feeds do FeedBurner, eu tenho acesso a uma porção de estatísticas, o que me permitirá planejar melhor as atualizações do Gamer Lifestyle de acordo com as expectativas dos visitantes. Por isso, se você ainda recebe as novidades pelo feed antigo, peço encarecidamente que troque pelos novos, listados abaixo:

Chamadas

Game Music Podcast

Comentários

Mais uma vez: por favor, deletem os feeds antigos e passem a assinar os novos. Leva só alguns minutos e trará grandes benefícios! ^_~

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Meme: Preservação da história do jornalismo de games no Brasil

Posted by Fabão on 27th maio 2008

Ao longo desse último final de semana começou, meio que sem querer, um meme internético que é fundamentalmente um serviço de utilidade pública: a preservação da história do jornalismo brasileiro de games. Foram reproduções, através de cópias digitais escaneadas, de textos publicados em revistas de games do passado (não tão distante). Seguem os exemplos que observei pela blogosfera:

Hadouken: publicou a análise de Soul Calibur do Dreamcast da Gamers 43. De quebra, a capa da revista e algumas páginas de previews e notícias.

Rodrigo Flausino: escaneou duas análises de Final Fantasy VIII publicadas na Gamers: da versão japonesa em quatro páginas na edição 38 e a da versão americana condensada em uma página da 44.

Molobakk: resgatou um detonado de 12 páginas da SuperGamePower…

Molobakk: … e também uma matéria de três páginas sobre o Dreamcast, por ocasião da revelação do console, da Gamers 31.

Blogeek: desenterrou o review de quatro páginas (cheias de spoilers!) da versão japonesa de Final Fantasy VII da Gamers 17. Bônus: a capa da revista.

Isso, claro, além da análise + detonado de Resident Evil do PS1 que publiquei aqui no Gamer Lifestyle. E o mestre Prandoni ainda levou a idéia além, garimpando o manual em português the A Lenda de Zelda: Um Elo com o Passado para Super NES e o manual em quadrinhos de Mônica no Castelo do Dragão para Master System. E ainda promete propagandas antigas de games. Não vejo a hora!

Não que não houvessem tentativas anteriores de resgatar revistas antigas ou mesmo matérias específicas, mas agora se delineia um plano para fazê-lo de forma consistente, sistemática e com o nobre propósito de preservar uma tradição. A mim agrada muito a perspectiva de ver um blog colaborativo ou um wiki com cópias digitais, integrais (não mais um pdf utilitarista da Gamers Book Nº 1 apenas com o detonado de Final Fantasy VII) e padronizadas de revistas de games que não estão mais em circulação e nem disponíveis em estoque nas suas respectivas editoras. Será que vai pra frente? Vamos ver.

Eu, particularmente, pretendo publicar, vez ou outra, um recorte temático da revista Gamers, bem como continuar reproduzindo textos mais recentes meus, tudo na seção Íntegras. Mas teria imenso prazer em contribuir com um projeto tão importante.

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Racismo em Tóquio

Posted by Fabão on 16th maio 2008

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=HNAJWA2gVHE&hl=en]

Dando uma inusitada continuidade ao tema que abordei aqui, encontrei e resolvi publicar esse vídeo que mostra um exemplo de “racismo” em Tóquio. Acho que eu também seria considerado racista… não tem como evitar. :P

Via Danny Choo.

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Íntegras: Devolvam-me 2005 [GameMaster 36, 01/2008]

Posted by Fabão on 14th maio 2008

Essa foi a minha coluna de “virada de ano” para a GameMaster, mas me parece muito apropriado republicá-la agora. Logo menos explico os porquês. Por ora, fique com o texto (tendo em mente que foi publicado em janeiro desse ano).

Devolvam-me 2005

Não me interprete mal. 2007 foi, indiscutivelmente, um dos melhores anos na história dos videogames. É impossível questionar o potencial de influência de Super Mario Galaxy, BioShock e Portal; ou a personalidade de Zack & Wiki, Folklore e Odin Sphere; ou a qualidade de Call of Duty 4, Mass Effect e Uncharted. Tivemos ainda Rock Band, Halo 3, Zelda: Phantom Hourglass, God of War II, Heavenly Sword, Crysis e mais inumeráveis ótimos jogos que cobrem todos os gêneros em todas as plataformas. Não, definitivamente eu não poderia criticar o bom e já saudoso 2007.

Por que, então, o clamor pelo retorno de 2005? Explico. Em intervalos mais ou menos regulares, a indústria de games atinge culminâncias de inspiração. 2005 nos trouxe um desses surtos criativos. Foi o ano da reinvenção de uma série com Resident Evil 4, do nascimento de franquias de ouro com God of War e Guitar Hero, da sofisticação gráfica de títulos como Soul Calibur III, Gran Turismo 4 e F.E.A.R., mas, principalmente, foi o ano da experimentação. Poucas vezes um intervalo de 12 meses conseguiu abarcar tanta ousadia, tanta atitude, tanto… talento despudorado. Pudemos rolar uma bola por cima de planetas em We Love Katamari, escalar gigantes em Shadow of the Colossus, girar o controle para fazer a comida conhecer a cadeia digestiva em WarioWare Twisted, jogar como mocinho e bandido da mesma trama em Indigo Prophecy, controlar sete personalidades assassinas de um paraplégico em killer7, contrair três ou quatro matérias de estudo de Freud em Animal Crossing: Wild World, vasculhar mentes complexadas em Psychonauts, caramba!, até mesmo recolher cocô de cachorro em Nintendogs!

Esse fenômeno costuma acontecer três ou quatro anos após a transição de uma geração de consoles domésticos para outra, quando os programadores têm intimidade absoluta com os hardwares, e os designers, ciência de como utilizar os recursos das novas plataformas – base instalada para justificar o inesperado a executivos também ajuda. É quando ninguém mais está se preocupando em mostrar o quão grande pode ser um sprite, o quão reflexiva pode ser uma superfície ou quantos personagens podem haver na tela ao mesmo tempo, só porque é possível. Quando o que importa, de verdade, é a criatividade.

Se a progressão se mantiver verdadeira, viveremos um 2008 de jogos muito criativos, que abrirá caminho para o pico de originalidade em 2009. E, se o respeitoso 2007 já trouxe muitas das características dos apogeus de inovação do passado, o que as mentes imprevisíveis dos brilhantes designers de jogos estão preparando para o próximo ciclo revolucionário? Alguém aí arrisca algum palpite para o “sucessor espiritual” de 2005?

Mais depois do “Leia mais”…

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Racionais Gamers

Posted by Fabão on 20th abril 2008

Não é de hoje que noto a presença dos videogames nas letras do grupo de rap Racionais MC’s. As ocorrências de que me lembro:

Fim De Semana No Parque (em“Raio X Brasil”, 1993)

Daqui eu vejo uma caranga do ano.
Toda equipada e um tiozinho guiando.
Com seus filhos ao lado estão indo ao parque.
Eufóricos, brinquedos eletrônicos.
Automaticamente eu imagino
A molecada lá da área como é que tá.
Provalvelmente correndo pra lá e pra cá.
Jogando bola descalços nas ruas de terra.
É, brincam do jeito que dá.
Gritando palavrão, é o jeito deles.
Eles não tem videogame, às vezes nem televisão.
Mas todos eles tem em São Cosme e São Damião
A única proteção.

Vida Loka (Parte II) (em “Nada Como Um Dia Após O Outro Dia”, 2002)

E eu que e eu que , sempre quis um lugar
Gramado e limpo assim verde como um mar
Cercas branca, uma seringueira com balança
Desbicando pipa cercado de criança.
Ho ho Brown, acorda sangue bom
Aqui é Capão Redondo tru, não Pokémon (*).
Zona Sul é o invés é o stress concentrado
Um coração ferido por metro quadrado.

(*): Embora aqui a referência diga mais respeito, provavelmente, ao anime de Pokémon que propriamente ao jogo, já que vem em alusão ao cenário descrito, melhor comparado com o desenho que com as cenas do Game Boy.

Da Ponte Pra Cá (em “Nada Como Um Dia Após O Outro Dia”, 2002)

Eu nunca tive bicicleta ou videogame,
agora eu quero o mundo igual Cidadão Kane.

Porém, nenhuma referência aos jogos eletrônicos nas músicas de Mano Brown, Edi Rock, KL Jay e Ice Blue é tão específica quanto a que aparece no novo trabalho do grupo, que fará parte do álbum inédito a ser lançado ainda em 2008. Fique com o vídeo (gravação de show em Fortaleza, cortesia do usuário do YouTube “roneyvidaloka”) e a transcrição do trecho:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=hDA6_Sogqnw&hl=en]

Mente Do Vilão (em álbum inédito, 2008 )

A Cosa Nostra vem, só pra contar as de cem,
O punk louco tá aqui com a Black Hill (zen).
Alguns pipoca vem, a arma tá sem trava
Sem silenciador pra oreiada, vai pras nuvem.
Em campo de novo, pode vir tem vitória
A maioria é o povo, só quer fazer o bem
Nego faz refém, os branco que aqui tem.
Eu só pego o que tá dentro da mala sem ferir ninguém
Salve Febem, eu me inspiro com Ruden(?).
Canta a realidade das ruas que te leva além
É o frio que vem, tipo o Ryu e o Ken,
Que representou o bem e mostrou ter coragem.

O trecho que menciona os Street Fighters está aos 1:53 do vídeo acima, e apesar de estar no contexto da música mais para dar continuidade à rima, ainda é interessante ver como os jogos transcendem sua própria mídia e aparecem em outras manifestações artísticas.

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Íntegras: Pelo Direito de Ser Negro [GameMaster 34, 11/2007]

Posted by Fabão on 20th abril 2008

Não, o blog Gamer Lifestyle não morreu. Nem eu. Este apenas anda ocupado com gaming books, revistas e faculdade. Aquele, em conseqüência, permaneceu em estado de letargia. E é querendo devolver ao blog alguma vivacidade que pensei numa maneira, a única plausível por ora, de alimentá-lo: Íntegras, a nova seção que trará textos que já publiquei no passado em versões não-editadas (o que geralmente quererá dizer maiores que os publicados, já que tenho ainda dificuldades em ceder às coerções dos limites de caracteres :P ). Vez ou outra – talvez uma vez por semana, ainda não decidi -, vou publicar um novo velho texto aqui e, se necessário, fazer algumas considerações.

Para estrear a seção, um texto publicado na edição de novembro de 2007 da revista GameMaster, em minha coluna Jogo Sério: “Pelo direito de ser negro”. Foi também o texto que inaugurou a coluna lá, e como queria há muito discorrer sobre o assunto, decidi que assim seria, mesmo que o alvoroço todo que o motivou tenha ocorrido em julho de 2007. Porém, sua republicação agora se justifica porque o caso ainda é atual e continuará causando barulho por muito tempo, como veremos adiante. Sem mais, ao texto:

Pelo direito de ser negro

Umas das melhores coisas mostradas na E3 desse ano foi o trailer de Resident Evil 5, recebido com efusividade pelos fãs. Mas não demorou muito para que alguém desvirtuasse a conversa por um fato isolado: negros alvejados por protagonista branco. Entre outros artigos sobre o pretenso problema, se destacou o de Kym Platt no blog Blacklooks.org. A escritora afirma que RE5 “é problemático em vários níveis, incluindo a representação de pessoas Negras como selvagens desumanos, a morte de Negros por um homem branco em trajes militares e o fato de esse jogo ser voltado para crianças e jovens adultos”.

O referido artigo também é “problemático em vários níveis” – como maiusculizar a palavra “negro” e não a palavra “branco” e o fato de o jogo certamente receber a classificação M, para maiores de 17 anos –, mas não vou me perder analisando a forma em vez de a substância. A questão é definir se RE5 é ou não racista – ou, antes, de lembrar: o que é racismo mesmo? É a admissão de uma hierarquia entre as etnias – e não me lembro de RE pregar supremacia de raça, aberta ou sutilmente.

RE4 se passava numa vila de espanhóis transformados em zumbis. Ninguém reclamou de repressão a ibéricos e, por possível extensão, latinos. A Capcom não informou a localidade de RE5, mas acredita-se ser um país na África ou, boatos apontam, o Haiti. Assim como no jogo anterior, a série é levada para um novo ambiente, e é natural que os zumbis sejam negros em um país de maioria negra – se fosse na selva amazônica, esperaríamos que fossem índios, não? Será que deveriam substituir todos por brancos? Ou seria o vírus tão racista a ponto de não infectar qualquer indivíduo que não fosse branco?

Se o cenário for o Haiti, será mais uma homenagem do que degradação, já que o país é considerado a origem do mito dos zumbis. Chris certamente receberá o suporte de personagens nativos, como Leon teve a ajuda de Luis Sera em RE4, e então será negro contra negro, porque o enredo não é sobre discriminação racial, mas sobre sobrevivência, sobre lutar contra seres que querem matá-lo, sobre buscar uma cura para o mal que se espalha.

Ser racista é fazer diferença, é agir como se os negros fossem coitados que precisassem de proteção especial contra as ameaças criadas apenas pela paranóia desses racistas inconscientes. É não querer negros zumbis, é não querer negros na África, ou no Haiti. A segregação étnica é um problema real, mas que ela seja repudiada e combatida onde verdadeiramente exista. E que Bob Marley permita-me adaptar uma frase dele para esse contexto: Enquanto a cor da pele do zumbi for mais importante que as questões da vida real, sempre haverá guerra.

Considerações: Em entrevista recente, o produtor Jun Takeuchi confirmou que Resident Evil 5 se passa realmente na África, justicando que o continente é considerado o berço da humanidade, e que então faz sentido buscar lá a origem do vírus que é o pivô do Survival Horror.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=sOvyFvO80Uw&hl=en]

Também recentemente, como mencionei lá em cima, a polêmica voltou aos noticiários online (o amigo Fabio Bracht também fez uma reflexão interessante no blog Continue.com.br) quando N’Gai Croal, em entrevista a seu amigo Stephen Totilo para o blog MTV Multiplayer, afirmou, sobre o trailer de RE5, que “Fica claro que nenhum negro trabalhou nesse jogo”, fazendo uma consideração muito válida ao associar as cenas exibidas com o contexto histórico mundial de discriminação racial contra negros. E foi além: “Eles [os inimigos] estão escondidos nas sombras, você mal pode ver os olhos deles, e a perspectiva do trailer nem é de alguém que está vindo para ajudar as pessoas. É como se todos eles fossem perigosos; todos eles precisam ser mortos”.

Croal é um dos jornalistas especializados que mais admiro nos EUA, editor do blog Level Up, autor de artigos inteligentes e algumas das entrevistas mais bacanas que já li. A preocupação dele, ao dizer que o conteúdo de RE5 (atirar em negros) difere do de RE4 (atirar em hispânicos), por exemplo, é que não se pode dissociar o contexto histórico que as cenas do novo jogo carregam implicitamente. É verdade que os japoneses (nesse caso, os desenvolvedores do jogo) não costumam ter consciência do mundo estrangeiro, por isso vez ou outra criam imagens estereotipadas daquilo que não conhecem senão superficialmente, ou abordam assuntos de uma maneira que pode escandalizar os outros (como aconteceu no objeto aqui analisado). Porém, mais do que considerar aqui a intenção dos criadores do jogo (que certamente não foi a de ofender ninguém, antes devendo-se mais a uma espécie de alienação) ou o próprio conteúdo do jogo (que ainda está em desenvolvimento e do qual ainda pouco conhecemos, mas que talvez possamos supor, como supus na coluna da revista, que nem todos os habitantes locais serão inimigos, como sugerido nas imagens vistas na vídeo-entrevista recente com Jun Takeuchi), é importante desmistificar essa intocabilidade da diversidade racial humana como elementos literário sem que carregue qualquer realidade adjacente que não o simples fato de existirem. Sem juízo de valor – pois que não há verdadeiramente, é criado por opressores e oprimidos.

É preciso também levar em conta a cultura do povo que originou a obra. As feministas modernas, por exemplo, provavelmente ficam em polvorosa ao conhecer o papel da mulher na sociedade grega antiga, que se reflete na literatura e outras manifestações artísticas do período. É necessário, por isso, banir as criações de Homero, Platão, Aristóteles…? Não, é preciso fazer uma leitura consciente de seu contexto.

Sugiro uma abordagem semelhante de RE5. Não que no Japão se matem negros aos montes (ou teríamos que supor também isso de todas as outras etnias, inclusive do próprio fenótipo japonês, e mesmo de aliens e animais, já que são todos sujeitos de tantos outros jogos nipônicos), mas que lá, como disse mais acima, a questão é historicamente abstraída da comoção que motiva nas nações do colonialismo. Porque não faz parte de sua consciência coletiva, o assunto é geralmente tratado pelos japoneses com neutralidade, sem intenção de ofender ninguém.

No mais, se quisermos combater o racismo, devemos fazê-lo onde ele realmente exista, não onde se quer imputá-lo por paranóia ou hipersensibilidade.

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"Eu como Tetris no café da manhã"

Posted by Fabão on 9th setembro 2007

Amo a arte do speedrun, sou fascinado pelos desafios que os japoneses propõem e vencem (matar o Emerald Weapon do FFVII somente com uma Tifa level 7, por exemplo, ou encarar o Omega Mk. XII do FFXII com nível baixo), mas, principalmente, tenho um prazer quase doentio ao assistir vídeos de jogadores de altíssimo nível em jogos de luta, tiro e puzzle. E é desse último gênero o vídeo que chamou a minha atenção nesse finalzinho de domingo.

O jogo é Tetris: The Grand Master 3, arcade japonês da Arika (aquela do Street Fighter EX, fundada pelo ex-Capcom Akira Nishitani) lançado em fevereiro de 2005. O vídeo saiu da página de downloads da empresa (com vídeos incríveis de jogos desenvolvidos ou adaptados pela Arika), e não sei quem é o jogador. O fato é que o cara consegue terminar o modo Master, em que as peças não ficam flutuando – caem instantaneamente assim que aparecem na tela (mais informações sobre o funcionamento dessa versão aqui, só para contextualizar melhor a façanha). Curiosidade: no final do vídeo, na hora dos créditos, ele continua jogando, só que com a pilha de peças invisível! Aprecie a obra (do lado esquerdo, está a tela de jogo; do direito, as mãos do cidadão):

[vodpod id=ExternalVideo.368564&w=425&h=350&fv=]

Fonte: www.gamebrink.com

Os melhores jogadores de Tetris que eu já tinha visto eram Ronaldo Testa e Pablo Miyazawa… até hoje. Mas, tudo bem, vocês dois continuam sendo os melhores jogadores de Tetris “não-nolife” que eu conheço. :D

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Buscas perdidas

Posted by Fabão on 20th dezembro 2006

O Wordpress é uma ferramenta de blog firmeza, e entre os recursos oferecidos há várias estatísticas. Depois que descobri esses “segredos”, percebi que tenho um pouco de Gugu Liberato, daquele lance de ficar acompanhando a audiência o tempo todo. Deixo aberta a página de estatísticas do Gamer Lifestyle o dia todo e vou atualizando para ver como está o andamento.
Uma das coisas com as quais me divirto é o campo Search Engine Terms. Ali são exibidos os termos usados em buscas que geraram visitas ao seu blog. E aparece cada coisa… Sempre ficam registrados os termos do dia atual e do anterior, então, vou colocar e comentar aqui as buscas que resultaram em visitas, às vezes insólitas, ao meu blog.

Buscas de hoje
fabio santana
Visitas geradas:
3
Ok, esse sou eu, então, nada mais natural que o cara vir parar no meu blog. Mas, por curiosidade, faça uma busca no Google por “fabio santana” para ver no que dá. Tem violinista cubano, nadador, deputado, poeta e até um dentista dono do domínio www.fabiosantana.com.br. Acho que eu deveria comprar essa url… Ou não. Uma vez o Eric Araki me falou que o nome Fabio é mais comum que João ou José, e eu começo a acreditar que a maioria deles também é Santana.

detonado zelda twilight princess
Visitas geradas:
3
Quem não estiver a fim de procurar no Gamefaqs, pode encontrar um responsa na Nintendo World 102. Só não vai encontrar nada aqui.

egm brasil 59
Visitas geradas:
3
Esse tem sido o campeão de buscas nas últimas semanas. Talvez porque a revista tenha atrasado tanto (o que revoltou até a mim, vejam só). O fato é que ela já está nas bancas. Tão avançada em dezembro que já estamos fechando a 60. Enfim…

manhas para MIDNIGHT CLUB 3
Visitas geradas:
2
Manhas… Que tipo de pessoa ainda usa a palavra “manhas” para definir “dicas” (suponho)? Pelo menos é melhor do que “macetes” ou “malícias”. De qualquer forma, não me lembro de ter mencionado esse (excelente) jogo da Rockstar por aqui, e ainda assim a pessoa clicou no resultado que exibia meu blog. Duas vezes…

como criar senha para last war
Visitas geradas:
2
O open beta do novo MMORPG da Gunsoft nem começou ainda e já tem gente querendo hackear o game. Tsc, tsc…

SDP Dragon Quest VIII
Visita gerada:
1
Preview na edição 28, detonado completo na 29, epílogo e todos os extras na 30 – cortesia de Gilsomar Livramento. Ligue para (11) 6877-6088 e peça por números atrasados.

360 sta efigenia
Visita gerada:
1
Vi alguns por lá no começo de dezembro.

cabalonline no brasil
Visita gerada:
1
Cabal Online é separado, pessoa. Ainda não deve ter site oficial, mas será lançado pela estreante Gamemaxx. Está em processo de tradução agora e deve entrar em open beta até maio de 2007.

detonado fechando 100% FFXII
Visita gerada:
1
Não basta terminar, tem que ser 100%. Gamefaqs é seu mestre. Fora ele, eu estava pensando em fazer um guia de jogo, tipo livro mesmo, com umas 200 páginas, completasso, com tradução de enredo e tal… Não rolou. Quem sabe num futuro próximo? Pelo menos consegui participar do serviço feito na SDP para a versão japonesa, junto com o Douglas Pereira. Quem quiser, confira da edição 34 até a 36. Na 41 estamos publicando os extras.

revistas detonados
Visita gerada:
1
Tem uma porrada por aí. Mais fácil ir à banca do que ficar perambulando pelo Google, não? Faça assim: desligue o micro, por mais doloroso que isso possa parecer (ou apenas desligue o monitor para economizar energia), caminhe até a porta de saída da sua casa, abra-a, coloque o pé no mundo lá fora, dirija-se até a banca mais próxima e dê uma fuçada no display.

Buscas de ontem
PS3 25 de março Preço
Visitas geradas:
3
PS3? Na 25? Esquece! Tenta na Sta. Ifigênia. Eu vi lá por 4 paus e pouco.

wii comprar barato sao paulo
Visitas geradas:
3
Mamar na vaca você não quer? Espere uns três meses até passar a febre e procure de novo. Ou compre caro agora, como eu fiz e não me arrependo (Elebits tá massa!).

caminho e pista da hot wheels
Visitas geradas:
2
Só conheço Hot Wilson.

detonado FFXII
Visitas geradas:
2
Outro campeão de buscas. Isso porque eu insisti que tinha público para um guia daqueles. O que vocês acham? Pagariam, sei lá, uns 30 contos num guia de luxo do jogo que você mais espera?

galeria pajé
Visitas geradas:
2
É Pagé com “G”, criatura. Se tivesse procurado certo, teria parado aqui: www.galeriapage.com.br.

lojas video game 25 de março
Visitas geradas:
2
Decepção total. Lojas de games na 25 só servem para vender PolyStation e controles piratas de PS1 e PS2.

JOGOS DE BARATAS FAZENDO XINGAMENTOS
Visitas geradas:
2
1) A pessoa tem o dom de escrever tudo em caixa alta.
2) Onde diabos já se viu jogos (no plural) de baratas fazendo xingamentos?
3) Como a pessoa veio parar no meu blog com uma busca dessas?
4) Duas vezes?

destravamento wii
Visitas geradas:
2
Onde esse mundo vai parar?

EGM 59
Visitas geradas:
2
Está nas bancas.

jogos legais de ratos
Visita gerada:
1
Fetiche? Fixação? Não entendi o propósito de buscar um jogo com esse tema, ainda mais um que seja legal. Deixa eu ver se me lembro de algum… Hmmm, do Mickey Mouse vale?

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Colocando o papo em dia

Posted by Fabão on 29th novembro 2006

Uau! Hoje faz 1 mês e 1 dia desde a última atualização. Se não fossem os 50~60 esperançosos visitantes que vêm aqui agitar a poeira diariamente, isso aqui estaria com teias de aranha, e os ratos teriam comido as letrinhas e os números. Bom, tenho que me retratar com os fiéis visitantes, mas, pra variar, não tenho muito tempo – o movimentado fim de ano está me deixando louco! Em vez de fazer uma atualização mandraque como as últimas, vou derrubar pequenas gotinhas de novidades:

• O Video Games Live Brasil 2006, foi um sucesso, tanto no Rio de Janeiro (dia 12/11) quanto em Sampa (19/11). Todos vibravam a cada nova música e eu mesmo chorei em mais de um momento do show. Teremos cobertura completa na EGM Brasil 59 e mais em breve no site www.heroi.com.br.
Trivia: a voz que anunciou Tommy Tallarico em SP após o Classic Medley e no início do Ato II era desse que voz escreve. O genome soldier que fez uma atuação genial no segmento de Metal Gear Solid era ninguém menos que Gilsomar Perônico do Livramento, o Gil. Só falta agora derrubarem ele na rua pra pegar a dog tag! :P

• Por falar em EGM Brasil 59, acabamos de fechar e estamos no processo de aprovação para começar a rodar a revista na gráfica. Só digo uma coisa: está foda! Bom, só digo uma coisa coisa nenhuma, vou falar mais! Ela tem:
1) Novo projeto gráfico e editorial. Um visual arrojado, novas seções e novos caminhos.
2) Três capas diferentes.
3) Um saco plástico que encobre o logo novo da revista. Você só verá o logotipo renovado quando comprar e abrir o saco (opa!).
4) Além das 100 páginas mensais, tem também um suplemento especial de 16 páginas com tudo sobre PS3 e Wii.
5) 58 jogos analisados!!! Um recorde absoluto! São 106 review (24 jogos com 3 reviews cada + 34 em Nano Reviews).
6) Os primeiros reviews de PS3 e Wii. Quanto será que ganhou Zelda? E Resistance? São, ao todo, 11 jogos de Wii e 5 títulos de PS3 analisados.
7) Análises de Gears of War, o jogo mais bonito já lançado.
8 ) Promoção valendo 100 controles de PS2.
9) Tudo isso pelos mesmos R$ 8,90 de sempre.
10) Dia 11/12 nas bancas.
[Atualização: novidades sobre a EGM Brasil 59 (incluindo um atraso) no meu post mais novo: aqui]

• Eu continuo a jogar The Legend of Zelda: Twilight Princess no Wii. Não dá pra parar!

• Enquanto isso, continuo na busca frenética pelo meu próprio Wii. Não tenho tido muito sucesso, mas permanece a esperança de ter um antes do Natal. Alguém tem alguma dica de onde posso encontrar um barato?

• Dia 1º de dezembro, também conhecido como essa sexta-feira, finalmente chega o Xbox 360 brasileiro. Um dia histórico! No site da FNAC já tem pra vender desde hoje, e acredito que a loja já tenha quiosques para testes de jogos. Quero dar um pulo lá assim que possível. Recomendo que façam o mesmo. Lá e nas outras lojas que estão vendendo o aparelho oficial da Microsoft Brasil.

• E foi dada a largada para a gincana do Elemento X, que dará 10 Xbox 360 (4 por telefone, para o Brasil todo, e 6 ao vivo, numa busca supercriativa pela cidade de São Paulo). Pena que eu não tenho tempo pra dar um rolê pela cidade atrás de pistas e pagando o mico de falar senhas estranhas para pessoas suspeitas :P … A gincana rola nos dias 2, 3, 9, 10, 16 e 17 de dezembro. Mais informações no site: http://elementox360.spaces.live.com/.

• E mais MMORPGs estão invadindo o Brasil! Em dezembro chegam a comunidade virtual de Second Life (Kaizen Games) e o ambiente futurista de RF Online (Level Up! Games). Em janeiro tem o medieval Last War (Gunsoft). Essa semana, no www.heroi.com.br, vamos revelar em primeira mão um novo MMORPG totalmente traduzido para o português – só digo que é coreano, e de uma empresa estreante, mas com planos promissores. E em breve teremos novidades de Mu Online também… Parece que muita gente vai perder (ainda mais) a vida social. :D

• Voltando a falar de EGM Brasil, para a edição 60, estamos preparando um brinde que vai deixar muita gente animada – se é que me entendem… E a edição de quinto aniversário se aproxima rapidamente! É a 63, que chega às bancas em abril. Os preparativos por aqui já começaram. ;)

• Está para começar também a votação do 3o Troféu Gameworld, a premiação máxima da indústria brasileira de games. Os planos para essa edição são ainda mais ambiciosos. Em breve terei novidades…

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Bom, acho que é isso por hoje. Se lembrar de mais alguma coisa, depois eu posto. E prometo que vou tentar atualizar esse cantinho querido com mais freqüência. Tenho algumas pensatas ainda na cabeça, e logo quero passá-las para esse espaço virtual.

Abraços,

Fabão

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