
Neste domingo, dia 22 de novembro, o Sega Saturn completou 15 anos desde seu lançamento no Japão. O console foi lançado a ¥44.800, com cinco jogos disponíveis: Virtua Fighter, WanChai Connection, Myst, Tama e Mahjong Gokuu Tenjiku. Poucas semanas depois, o Japão testemunhou a chegada do novato PlayStation, da Sony, e, ao longo dos anos, o concorrente ganhou a simpatia das produtoras e do público, encerrando prematuramente a carreira do console da Sega. Mas foi uma vida muito produtiva, não obstante o hardware hermético e as vendas tímidas. Só no Japão, o console recebeu mais de 1000 jogos, incluindo os melhores jogos de luta 2D de sua geração e muitos grandes e obscuros shooters e RPGs.
Dados sobre vendagem são conflitantes: o artigo da Wikipedia em inglês cita dois números de fontes diferentes, 9,5 milhões e 17 milhões de unidades vendidas no mundo todo; já o artigo da Wikipedia japonesa é mais categórico: 8,76 milhões de consoles no mundo, 5,8 milhões apenas no Japão. Um número mais plausível que eu cheguei a ver é de 14,46 milhões de unidades no mundo, sendo 5,6 milhões em terras nipônicas e outros 8,86 milhões de consoles no restante do mundo. No Japão, o jogo mais vendido do Sega Saturn foi Virtua Fighter 2, febre absoluta na época, com 1,4 milhão de unidades vendidas – também foi o único do console a ultrapassar 1 milhão em vendas no Japão.
Com a chegada do Dreamcast, em novembro de 1998 no Japão, todos os recursos financeiros da Sega foram direcionados à nova plataforma, e o Sega Saturn definhou: após receber 319 jogos em 1996 e 351 em 1997 em território japonês, a oferta de títulos foi reduzida a 215 em 1998 e apenas 17 em 1999. Em 2000, seu último ano de lançamentos licenciados no Japão, o Saturn ganhou apenas três jogos – o último foi Yukyuu Gensoukyoku: Perpetual Collection, no dia 7 de dezembro, uma coletânea de títulos lançados previamente para o console (o que torna Final Fight Revenge, de 30 de março, o último jogo original lançado para o console). Nos EUA e Europa o console já havia sido interrompido há muito mais tempo, em 1998, com Magic Knight Rayearth e Deep Fear, respectivamente.
Atualmente, o console e seus jogos são muito procurados por colecionadores, dada a alta qualidade de muitos deles e a raridade de alguns. Há excelentes títulos muito acessíveis e gemas singulares a preços exorbitantes. Eu comecei a montar minha biblioteca de jogos na própria época de ouro do console, mas a ampliei consideravelmente nos últimos tempos, buscando boas ofertas em leilões japoneses. Abaixo, uma parte do que acumulei ao longo desses 15 anos de história.

Aqui, reuni principalmente os grandes jogos de luta. Em volta do tradicional Saturn cinza, japonês, e do controle arcade original da Sega, os títulos de pancadaria da Capcom e da SNK. Tenho Vampire Savior, X-Men Vs. Street Fighter e o raríssimo Street Fighter Zero 3 na caixa e com seus respectivos cartuchos de 4 MB de RAM. Ainda da Capcom, Street Fighter Zero 1 e 2, Street Fighter Collection, Vampire Hunter, X-Men: Children of the Atom, Marvel Super Heroes, Marvel Super Heroes Vs. Street Fighter (versão standalone), Pocket Fighter e duas versões de Cyberbots, a convencional e a grande caixa limitada, com artbook e número de série. Da SNK, The King of Fighters 95 com cartucho de ROM e Samurai Shodown III, Real Bout Fatal Fury e Real Bout Fatal Fury Special com cartucho de 1 MB de RAM. Em versões convencionais, Fatal Fury 3, The King of Fighters 96 e 97 e World Heroes Perfect. De penetra na foto, versão completa de NiGHTS Into Dreams…, incluindo o controle analógico.

Acima, RPGs e afins, gênero muito produtivo para o console no Japão, que infelizmente não viu muitas traduções para o inglês. Indo na ordem desta vez, a foto começa com Langrisser IV, Shining Force III: Scenario 3, Panzer Dragoon Zwei (é shooter, eu sei), Azel: Panzer Dragoon RPG (grande jogo com quatro CDs, a versão americana é caríssima) e Enemy Zero do Kenji Eno na primeira fileira. Abaixo, começa com todas as versões de Grandia: a demo Grandia Prelude (raro), Grandia propriamente dito e o disco de extras Grandia Digital Museum. Ao lado, os excelentes Sakurai Taisen 1 e 2. Mais abaixo, Lunar: Silver Star Story, Lunar: Magic School e Lunar 2: Eternal Blue; depois, a dupla de adventures cyberpunk Policenauts e Snatcher, de Hideo Kojima. Na última fileira, o demoníano e cômico Tengai Makyou: Daishi no Mokushiroku, o raro Castlevania: Symphony of the Night, o penetra Christmas Nights e duas versões do estratégico Super Robot Taisen F. Mais ao lado, Resident Evil, o fantástico jogo de estratégia Dragon Force e Samurai Shodown RPG.

Por fim, jogos da divisão AM2 da Sega, liderada pelo lendário Yu Suzuki, e outras coisas. Dá para ver Daytona USA, Daytona USA Championship Circuit Edition, Sega Rally, Virtual-On, Virtua Fighter 1, Remix e 2 (esqueci de incluir o VF Kids na foto), Fighting Vipers, Fighters Megamix, Decathlete e Virtua Cop. Ainda dignos de menção na foto estão o frenético Wipeout e a excelente e rara versão do shooter Gokujou Parodius Da! Deluxe Pack, da Konami, além do interessante Assault Suit Leynos 2.
Tenho muitos outros jogos de Saturn japoneses aqui em casa, várias duplicatas e títulos menores. Sem contar os jogos americanos que estão na casa da minha mãe, incluindo os caríssimos Dragon Force e Albert Odyssey Gaiden, da saudosa Working Designs. Apesar de eu ter uma formação Nintendo, o Sega Saturn acabou sendo o console a que mais dediquei esforços de colecionador – e ainda há muitos títulos que cobiço, como Dungeons & Dragons Collection, Radiant Silvergun, Groove on Fight, Princess Crown, Devil Summoner: Soul Hackers, Metal Slug… O 32-bit da Sega foi e continua sendo muito importante na minha formação como jogador, então é com especial satisfação que digo: feliz aniversário, Sega Saturn!
