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Íntegras: Pensamento Metacrítico [GameMaster 41, 06/2008]

Postado por Fabão em 4 de julho de 2008 às 12:14 am Imprima esta postagem Imprima esta postagem

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Íntegra do texto publicado na coluna Jogo Sério da GameMaster 41. E você, o que acha do Metacritic e similares?

Pensamento Metacrítico

Como os agregadores de reviews estão mudando a indústria

duas edições, aqui mesmo na minha coluna, insinuei como os sites Metacritic.com e GameRankings.com são inconvenientes para críticos de jogos. Basicamente, o que eles fazem é registrar as notas que os produtos recebem em análises e calcular uma média dessas pontuações. O Game Rankings compila reviews de jogos desde 1998 e o Metacritic estreou em 2001 e é o mais popular, já que também agrega notas de filmes, CDs de música, DVDs, seriados e livros. Há outros sites que fazem o mesmo, como o Rotten Tomatoes e o GameStats, mas a dupla em questão é a mais amplamente consultada para jogos eletrônicos.

Num primeiro momento, apenas os próprios críticos se importavam com esses sites, pois viam seu trabalho colocado num bacião para fins estatísticos. Depois a indústria passou a dar relevância para o recurso. Atualmente, uma quantidade de jogadores que não se pode ignorar cultiva o hábito de consultar o Metacritic e o Game Rankings para fazer suas decisões de compra.

Embora eu (e boa parcela dos críticos de jogos) considere esse pareamento nocivo para a profissão e margem para a banalização dos próprios jogos (pois implica que eles podem ser medidos por uma escala objetiva), é forçoso reconhecer que ele está moldando a indústria.

Não se vêem mais estampadas nas embalagens as frases de sites e revistas acompanhadas da boa nota, mas multiplicam-se os comunicados à imprensa que destacam a média do jogo no Metacritic. As ações de uma produtora podem cair (como no caso da Activision no lançamento de Spider-Man 3) ou subir (como as da Take Two na chegada de BioShock) com as pontuações obtidas no site. Desde 2004, a Warner Bros. usa o Metacritic como parâmetro para cobrar royalties de suas licenças. Não são poucas as produtoras que bonificam os desenvolvedores de acordo com as médias do Game Rankings (e não mais apenas segundo os números de vendas). Este ano, a Electronic Arts adiou alguns de seus jogos para oferecer mais qualidade, visando conquistar uma média agregada de 80 pontos ou mais no Metacritic (que foi de 72 em 2007). No final de maio, a Microsoft anunciou que vai tirar de catálogo jogos de Xbox Live Arcade com baixo desempenho – entre os fatores considerados, claro, a média do Metacritic: qualquer produto com pontuação abaixo de 65 é forte candidato ao corte.

É muito bom ver que as empresas estão cada vez mais preocupadas com a qualidade, e quem ganha com isso somos nós, jogadores. Porém, o crédito que se dá aos agregadores de reviews é desmesurado. Primeiro porque crítica não é ciência exata, não se mede com números, e muito menos a estatística pode ser o seu metro – justo ela que suprime cegamente todas as nuanças que são tudo para a arte. Segundo porque há conflitos ideológicos entre os veículos considerados: 6,0 para uns é algo acima da média, para outros é um desastre completo. Terceiro porque as análises são feitas com relativa pressa (mesmo que demorem semanas, em alguns casos), não sendo possível ter uma clara percepção histórica, uma noção de como a obra se coloca numa tradição. Quarto, e talvez mais importante, porque a simples existência dos agregadores distorce o que poderia ser considerado um valor médio, já que pode haver analistas preocupados em não se distanciar do consenso, adequando seu veredicto à média. Essa média, por sua vez, tende a gravitar muito próxima à expectativa que se tem do produto, o que faz dela uma medida de popularidade antes que de qualidade.

Essa última ressalva é motivada, em grande parte, pelo caráter habitual das prévias de jogos, mas sobre isso falarei em outra oportunidade. Por ora, fica a constatação de que, certo ou errado, a indústria de games está buscando uma vacina para evitar uma reprise do crash de 1983.


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10 Responses to “Íntegras: Pensamento Metacrítico [GameMaster 41, 06/2008]”

  1. Fabio BrachtNo Gravatar Says:

    Interessantíssimo o assunto, Fabão. Mais do que interessantíssimo, eu diria.

    Eu acho toda essa discussão extremamente complexa, tanto que sinto dificuldade em me posicionar a respeito. Veja só como é complicado: um agregador como o Metacritic é bom para o consumidor, torna-o mais exigente e, assim, teoricamente força um aumento de qualidade nos jogos. O que é bom para a indústria, e, por sua vez, para a mídia. Mas por outro lado é ruim para a mídia e para a “arte da crítica”, por banalizar a avaliação e “impor” uma nota sobre as outras. One Score to Rule Them All. Mas como pode ser bom e ruim ao mesmo tempo? Minha cabeça gira. Embora isso possa ser devido ao sono.

    Uma coisa é certa: assim como eu faço questão de consultar o Metacritic antes de comprar um jogo sobre o qual eu não estou completamente certo da compra, eu também faço questão de NÃO OLHAR para ele antes de fazer uma resenha. Se algum crítico de games declarar na minha frente que é capaz de consultar a pontuação agregada de um jogo antes de dar o seu parecer e não sofrer nenhum tipo de influência, eu não vou acreditar. Esse tipo de coisa inevitavelmente afeta o nosso subconsciente. Aquela nota do Metacritic passa a ser considerada a nota “certa” para aquele jogo. E aquele 4 que tu ia dar, subitamente vira um 6 porque a nota no Metacritic é 72.

    [Responder]

  2. FabãoNo Gravatar Says:

    @Bracht
    Realmente, velhinho, tu ressaltou um dos maiores riscos que um crítico de jogos pode correr: concordar com a maioria só porque ela é… maioria. Por outro lado, também não acho legal algumas análises que se distanciam da uniformidade só por se distanciar mesmo, talvez como forma de se destacar – afinal, num jogo que só recebe 8~9, um 5 ou 6 vai acabar aparecendo mais. Tanto um problema quanto outro são decorrentes da bendita dupla Metacritic/GameRankings. Num mundo ideal, a opinião própria sempre prevaleceria, com cada autor dando o melhor para sustentar seus próprios argumentos.
    Ao mesmo tempo, aquilo é o paraíso para o consumidor, que tem em um lugar só diversas opiniões sobre o jogo sobre o qual ele está em dúvida se compra ou não. Para o bem o para o mal, já não dá mais para viver sem os agregadores de reviews. :P

    [Responder]

  3. MaiquinhoNo Gravatar Says:

    eu brigo com isso faz tempo
    é simplesmente impossivel medir objetivamente aquilo que é totalmente subjetivo: a satisfação que determinado game possa te trazer

    a unica coisa positiva que vejo nisso é que, como eu tenho conexão de internet meio lenta, vou pra um site desses é pego links pra varios reviews de uma vez só, sem precisar carregar a “home” de um IGN, Gamespot… tudo ao mesmo tempo

    [Responder]

  4. DiegoNo Gravatar Says:

    Não que eu queira soar cínico com essa pergunta mas… pra que serve um crítico afinal de contas? Já não está mais do que provado que manifestações artísticas (de qualquer tipo) possuem carga subjetiva demais pra serem avaliadas a rígor e enfiadas em rankings? E que o gosto pessoal dos avaliadores, críticos o rewiers em 90% dos casos acaba pesando indevidamente em seus textos?

    Pessoalmente, escolho meus games, livros e filmes baseado em impressões sensoriais, e não palavras escritas por pessoas que nem coneço o rosto.

    Vai por mim, te faço essa pergunta sem o menor tom de agressividade. É que estou muito curioso pra ver o que você vai me responder. Respeito o seu trabalho acima de qualquer coisa, Fabão.

    [Responder]

  5. VictorNo Gravatar Says:

    Diego, concordo plenamente com você em tudo. Eu não me sinto nem um pouco impulsionado a olhar reviews e etc sobre jogos. Ando pela internet, compro revistas, vejo sites e o que me chamar a atenção, eu jogo e pronto. Se é bom, maravilhoso. Se é ruim, azar o meu. Fod***-se a crítica e a opinião dos outros sobre isso. Pode parecer papo manjado, mas é sincero. É não é ofensivo, também! =D

    [Responder]

  6. Mauri LinkNo Gravatar Says:

    Esse “agregamento” de notas e análises é um reflexo do fato perigoso de que a sociedade ruma para um caminho baseado em ícones?
    Podemos resumir experiência em um símbolo e acreditar nele?
    De fato, todos gostamos de ícones, onde quer que estejam inseridos, mas é salutar que saibamos o real significado do que o ícone representa.
    Quando os consumidores vêem somente uma nota no Metacritic, e baseiam nisso a decisão de compra, está mesmo certo? No fim, o que importa é um A, um 0, um 100%, um Excelente?
    O ideal é que todos possam procurar saber (e tenham acesso à isso)O QUE levou um jogo a receber aquele ícone de avaliação. Comprender o significado, os elementos que tornaram a mensuração da experiencia do avaliador. E depois, construir sua própria experiência sem que ela seja influenciada por outra. É difícil, mas é a opção que mais agrega ao jogador e que mais respeita suas singularidades. Conheça as experiências de outras pessoas, mas nunca deixe de viver as suas!

    [Responder]

  7. Fabio BrachtNo Gravatar Says:

    Diego e Victor:
    É óbvio que vocês vão pensar que eu digo isso só porque eu também sou um crítico (ou gosto de pensar que sou), mas eu discordo de vocês. Um crítico de games é alguém que une algumas características: 1. Tem uma boa bagagem cultural sobre games; 2. Reconhece as qualidades e imperfeições técnicas de um jogo, baseado nessa bagagem; 3. Domina a argumentação contra ou a favor das características do jogo analisado; 4. Sabe apresentar tudo isso de forma clara em um texto.

    A função do crítico é analisar o jogo enquanto produto. As suas qualidades e defeitos. O que ele tem de inegavelmente bom e ruim, e explicar como é o “meio termo” entre essas características para que o leitor decida por ele mesmo.

    É claro que a opinião pessoal do crítico influencia, mas por mais que eu goste do Sonic ou de jogos em ação/plataforma 3D, não posso dizer que o Sonic The Hedgehog do 360/PS3 é bom. Nem posso elogiar a trilha sonora de Sonic and the Secret Rings, que é um jogo que eu acho ótimo.

    É claro também que um bom crítico analisa mais do que os quesitos técnicos. Fala da história, das emoções, do prazer subjetivo de jogar aquele jogo. Tudo isso é importante, embora não se possa ser medido nem seja igual para todas as pessoas.

    Mas no fim das contas, a opinião do crítico não é nunca vai ser a opinião do leitor. O que acontece é que muitos leitores acabam criando uma afinidade com alguns críticos, e sabem que pode confiar na opinião deles. Eu, por exemplo, li várias resenhas do filme Happy Feet na época em que ele saiu, todas elogiosíssimas. Mas só decidi que iria ao cinema assistir quando o Fanboy, do finado site A Arca, disse que foi a melhor animação que ele já tinha assistido. Eu sabia que podia confiar nele e fui assistir. Resultado? Assisti uma das melhores animações que eu já vi (até Wall*e, que eu vi ontem, mas isso já é outra história).

    [Responder]

  8. GooNo Gravatar Says:

    Caros colegas.

    Opinião de um gamer que tem pensamento crítico sobre o que joga, embora não tenha um blog a respeito porque sabe que não tem output suficiente para fazer algo à altura dos excelentes blogs nacionais, como dos dois Fabios aqui.

    Quando me interesso em algum jogo (muitas vezes antes E depois de jogar), recorro ao Metacritic porque, pra início de conversa, é fácil encontrar lá links para diversos outros reviews. É muito difícil eu ficar só com o agregado; normalmente leio boa parte dos excerpts contidos ali, e normalmente escolho um representante que tenha dado uma avaliação muito boa, um que deu uma avaliação muito ruim, e um bem conhecido (normalmente IGN ou Gamespot, já que [não sei como] Destructoid não aparece lá) pra ler.

    O agregador, pra mim, não serve para dar uma nota única, embora até funcione como primeiríssima impressão; ao contrário, é uma ferramenta que me ajuda a escolher diferentes pontos-de-vista, que me levarão a formular a minha própria opinião a respeito.

    O problema é o uso errado que, ao que parece, tem sido a regra. É como um carro: pode ser um meio de transporte ou uma arma, depende de quem (e como) usa.

    [Responder]

  9. mcsNo Gravatar Says:

    Assunto muito interessante e bem escrito por sinal.

    Nunca fui fã de equacionar as qualidades de uma obra artística como um game. No entanto, percebo que uma forma de expressão tal como a do videogame, em constante evolução (ou transformação, segundo os mais nostálgicos), deixa traços perceptíveis do que um bom jogo deve ter. Talvez por isso o crítico de games seja o único em concordância com o seu público consumidor. Este fato e um outro – a suposição de que o crítico de games não consegue abstrair de um jogo o seu contexto histórico-social do ser humano (fato que provaria que o videogame é uma arte) são outros assuntos que eu gostaria de pôr em questão.

    [Responder]

  10. Orakio "O Gaga" RobNo Gravatar Says:

    Eu acho esse negócio de notas uma tremenda furada. Como o sujeito vai resumir a opinião toda dele sobre um jogo com um número? O que significa, por exemplo, um Final Fantasy XIII levar um 9 e um Star Ocean 3 levar um 8? São dois jogos diferentes. Não vejo utilidade nenhuma nisso.

    Se é para fazer um ranking, preferia que as pessoas simplesmente usassem aprovado/reprovado. Ou gostou ou não gostou. Não estou interessado na nota que o cara dá para o jogo, estou interessado no que ele achou do jogo. Se dos 300 críticos, uns duzentos e tanto reprovaram, já está dado o alerta ao consumidor. Quer mais detalhes? Leia a análise. Agora, ficar competindo com números, com aquele negócio de “jogo x teve três pontos a mais que jogo y”, ninguém merece.

    [Responder]

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