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    Este é um blog sobre o estilo de vida gamer, o estilo de quem compreende os jogos eletrônicos como forma de arte, cultura, negócio e entretenimento; o estilo de quem joga, mas sobretudo de quem pensa os jogos; o estilo de quem se assume gamer, e vê nisso não um escapismo, mas um complemento a todos os outros aspectos e aspirações de sua existência serenamente revolta. Espere tópicos filosóficos, amenidades, discussões, polêmicas, opinião, tudo isso junto e nada disso também. Enfim, viva o estilo de vida gamer e venha aqui debatê-lo.
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Os efeitos da crise mundial sobre os games

Postado por Fabão em 28 de fevereiro de 2009 às 7:45 pm Imprima esta postagem Imprima esta postagem

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Crise econômica mundial

O artigo a seguir foi escrito há exatamente um mês, e nesse breve intervalo muita coisa mais já aconteceu: a Midway pediu concordata, a Rare anunciou reestruturação com corte de funcionários, a Sega fechou arcades e cancelou o RPG baseado em Alien, com prováveis demissões na desenvolvedora Obsidian, a NCSoft cortou mais 70 a 90 posições, a Disney demitiu cerca de 35 no seu estúdio Propaganda Games e cancelou uma sequência não-anunciada de Turok, a THQ demitiu 100 funcionários de sua divisão mobile e, uma semana depois, divulgou perdas de US$ 191 milhões referentes ao final de 2008 e corte de 600 postos de trabalho. As indústria de games sofre com a recessão, mas as dificuldades não atingem todas as empresas uniformemente, ratificando uma teoria de que crises assim vêm para punir os excessos e premiar a prudência, a versatilidade, a criatividade, a eficiência ou seja lá o que faz algumas empresas lucrarem enquanto outras se afundam. De qualquer forma, a fase irá passar e a indústria sairá fortalecida, com lições aprendidas. Assim espero.

À Prova de Recessão?

Como a crise financeira global está afetando a indústria de jogos

O mundo atravessa um período de recessão epidêmica, com foco nos países mais ricos e sérios danos colaterais nas economias em desenvolvimento. A bolha do crédito estourou, instituições financeiras quebraram, o petróleo atingiu o pico histórico na metade de 2008, o desemprego aumentou, o consumo diminuiu. E, em meio ao drama global, a indústria de videogames cresceu, mais uma vez quebrando recordes.

Somando as vendas de consoles, jogos e acessórios, o segmento faturou, só nos EUA, segundo dados da NPD, US$ 21,33 bilhões em 2008, quebrando a inédita barreira dos US$ 20 bilhões anuais. Somente no mês de dezembro, US$ 5,29 bilhões foram gastos com games nos EUA – aproximadamente o que a indústria faturou no ano inteiro de 1997. O montante do ano passado representa um crescimento de 19% em relação a 2007, quando o mercado de games somou US$ 17,94 bilhões.

Mas essa é apenas uma perspectiva, e não é a mais adequada para analisar o impacto da atual crise sobre os jogos eletrônicos. Em comparação com a taxa de crescimento dos anos anteriores, percebemos uma desaceleração. Depois de evoluir 6% em 2005, a indústria avançou 19% em 2006 e cresceu 43,5% em 2007. Em 2008, a marcha se reduziu lentamente: a receita com games no primeiro trimestre foi 21% maior que no mesmo período de 2007, 32% maior no segundo trimestre, então 7% maior no terceiro trimestre e apenas 10% maior nos três últimos meses do ano.

Com essa virada na tendência, muitas empresas tiveram seu planejamento prejudicado, o que resultou em cortes drásticos. Focos isolados de uma crise apareceram ainda no primeiro semestre de 2008, com a SCi, empresa-mãe da Eidos, anunciando em fevereiro a demissão de 250 funcionários e o cancelamento de 14 projetos. Em junho, a LucasArts confirmou rumores de que estaria demitindo cerca de 100 pessoas.

Mas foi no segundo semestre que a maré sombria tomou corpo e virou tsunami negro. Em julho, a Midway dissolveu seu estúdio de Los Angeles (TNA Impact) e realocou os funcionários em outras divisões. Mais 90 a 130 pessoas foram demitidas do estúdio de Austin (Área 51) em agosto, depois mais 20 a 30 do estúdio de Chicago (Stranglehold/MK) em novembro e, em dezembro, a Midway dissolveu de vez o estúdio de Austin e demitiu mais 180, afetando os estúdios de Chicago e San Diego (Touchmaster/Cruis’n). Em pleno Dia das Bruxas, a gigante Electronic Arts, que já havia fechado o estúdio de Chicago (Def Jam/Fight Night) um ano antes, anunciou plano de demissões que liquidaria 600 postos de trabalho. Em dezembro, a EA diminuiu a previsão de lucros, reduziu o número de títulos para 2009, aumentou as demissões para 1000 e anunciou o fechamento de nove filiais, incluindo o estúdio Black Box (Need for Speed/Skate) e o escritório de Brisbane da Pandemic (Destroy All Humans!). A THQ anunciou, em novembro, plano de demitir 250 funcionários, cancelou vários títulos não-anunciados e fechou os estúdios Paradigm, Helixe, Locomotive, Sandblast e Mass Media. Só em janeiro, a Eidos demitiu 30 da Crystal Dynamics (Tomb Raider Underworld) e fechou o estúdio mobile Rockpool Games. Também no início de 2009, a Sega demitiu cerca de 30 funcionários.

Outras empresas afetadas pela crise incluem o Flagship Studios (de Hellgate: London; fechou em julho), Brash Entertainment (Space Chimps; baixou as portas em novembro), NCsoft (desativou o jogo online Tabula Rasa em novembro, demitiu funcionário e consolidou subsidiárias), Gearbox Software (Brothers in Arms; demitiu cerca de 25 em novembro), Factor 5 (Lair; fechou em dezembro), Free Radical (demitiu 140 e se pôs à venda no final do ano), Turbine (LotR Online; anunciou demissões em dezembro) e Aspyr (conversões de Guitar Hero; demitiu um terço dos funcionários em dezembro).

As fabricantes de consoles não escaparam aos cortes. A Microsoft, que já havia anunciado o fechamento do estúdio Ensemble (Age of Empires/Halo Wars) em junho, revelou em janeiro plano para cortar 5 mil empregos distribuídos por todas as suas divisões, 1400 deles imediatamente. A medida fecha o blog GamerScore e o estúdio ACES (Flight Simulator) e atinge a divisão Games for Windows. A Sony, por sua vez, planeja demitir 8 mil funcionários na divisão de eletrônicos (incluindo a Sony Computer Entertainment), extinguir outros 8 mil cargos temporários e fechar duas fábricas de TV, tudo em resposta a um prejuízo estimado em US$ 2,9 bilhões no ano fiscal, o primeiro em 14 anos e segundo na história da empresa.

Porém, se por um lado o panorama deixa claro que a indústria de games não é tão “à prova de recessão” quanto se chegou a dizer, por outro mostra, ao menos, que ela está menos vulnerável que outros setores. Em tempos de crise, o crescimento de 19% ainda é admirável, e a receita com jogos ultrapassou pela primeira vez a dos filmes em DVD e Blu-ray somados – games renderam US$ 32 bilhões no mundo todo em 2008, 53% do total de mídias embaladas produzidas, que devem aumentar para 57% em 2009, segundo projeções. Compreensível: na incerteza, pessoas passam mais tempo dentro de casa, e como opção de entretenimento, jogos oferecem a melhor relação “diversão por dólar gasto”.

Para o novo ano, as produtoras buscam soluções para continuar crescendo: além da contenção de gastos, algumas experimentam lançar jogos a preços mais baixos que os praticados, muitas lançam mão de outsourcing no desenvolvimento, a distribuição online é cada vez mais comum, os jogos indie garantem que a criatividade continue fluindo. Além disso, deve se acelerar a busca por territórios mais tranquilos, com maiores possibilidades de crescimento, como o Brasil. A Ubisoft não apenas abriu um estúdio em São Paulo como comprou a gaúcha Southlogic. A Activision tomou a iniciativa de agir oficialmente em solo brasileiro. E, anote aí, mais virão.

Com um 2009 mais lúcido, é possível que a indústria de games apresente um novo crescimento. Tímido, mas, em tempos de crise, crescer pouco não é privilégio para muitos.

(Íntegra de artigo escrito no dia 28 de janeiro de 2009 e publicado na revista GameMaster 48, edição de fevereiro de 2009. Crédito de imagem: Scotish Socialist Party)


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11 Responses to “Os efeitos da crise mundial sobre os games”

  1. Jr LNo Gravatar Says:

    Eu mesmo, que pretendia comprar um next gen esse ano, já não vou mais :-/

    Sux.

    [Responder]

  2. MaiquinhoNo Gravatar Says:

    eu soh lamento mesmo eh o cancelamento de time splitters 4
    tomara q a crytek libere o desenvolvimento do jogo, acho essa a melhor franquia de FPS da geração passada

    [Responder]

    FabaoNo Gravatar Reply:

    Altas partidas de TS3 em LAN, no cenário da discoteca (puta música!). Saudades. T.T

    [Responder]

    MaiquinhoNo Gravatar Reply:

    vamo manda um abaixo assinado pra crytek pedindo pra deixar os britanicos fazerem o jogo :p
    acho q tenq ser em alemao neh? quem se habilita?

    OFF: ei fabao, da uma olhada no meu post sobre ff8 x)~~

    [Responder]

  3. L. Gustavo "Mancha"No Gravatar Says:

    Fabão, tu mandou EXTREMAMENTE bem nesse texto. Sério, até um chimpanzé entenderia a situação, com a clareza que você escreveu o texto. xD
    Ah, e eu li ele de novo aqui, pq já tinha lido na revista tbm. ^^

    Agora quanto ao conteúdo:
    A indústria de eletrônicos passa por apuros, claro, mas alguns outros setores estão sendo atingidos de maneira mais intensa. Principalmente os que comerciam produtos de alto valor agregado (ou seja, que custam mais caro). O setor de construção, por exemplo, levou um baque enorme. E é justamente a área do meu pai, o que explica minha não-permanência em Brasília esse ano.

    Mas voltando aos games, a crise está sendo sentida mesmo, mas se pegarmos algumas empresas, como a Nintendo, dá pra ver que não estamos num "período sem salvação". O que eu acho que podemos esperar, mais pro futuro, são mais idéias inovadoras e em menor quantidade. Serão mais jogos de sequência, que tem maior garantia de sucesso, mas num geral teremos menos títulos. As empresas precisarão diversificar seus investimentos, e encontrar meios de levar adiante seus projetos. O que nos leva a pensar que eles devem investir bem mais em países como os do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), não só pelo potencial de crescimento, mas pela possibilidade de gastarem menos, seja com salários, impostos ou sei lá.

    Com sorte, o mercado de games vai amadurecer nesse meio tempo. Por um lado, é bom que não teremos mais uma avalanche de jogos ruins, que tentam tirar uma casquinha do mercado promissor. Por outro, não teremos tantos jogos bons nem tanta disponibilidade das empresas a se arriscar em algo inédito e que não tem garantias de dar certo.

    Mas vamos sobreviver. O mercado de games já sofreu vários baques, e não será esse que vai afundá-lo. Pode aumentar o tempo entre a geração atual de consoles e a próxima, pode desacelerar o mercado… mas "quando a crise passar" (isso me lembra a época do Collor), vamos retomar o crescimento vertiginoso. Para o alto e avante! ~~/o/

    (Acho que ficou um pouco confuso, mas dá um desconto pq são 3 da madrugada e eu tô com tontura e vendo tudo meio embaçado. xD)

    [Responder]

    MarinhoNo Gravatar Reply:

    Mas, investir no Brasil com os impostos que existem, é atirar em fantasma =/

    [Responder]

  4. Orakio "O Gagá" RobNo Gravatar Says:

    Faz um tempo que acompanho o seu blog, e agora indiquei-o ao "Olha que blog maneiro". Dá uma conferida no link…

    E parabéns pelo blog!

    http://www.gagagames.com.br/?p=2219

    [Responder]

  5. MaiquinhoNo Gravatar Says:

    a midway vai entregar meu amado mortal kombat para mãos mais competentes o/
    finalmente uma boa noticia da crise

    [Responder]

  6. Felipe [Panettoni]No Gravatar Says:

    Acredito que o mercado de games, por ser uma das principais faces do entretenimento atual, não sairá tão machucado dessa crise mundial. As pessoas passaram a gastar menos e o "efeito cascata" se alastrou pelo mundo. Mas esses mesmos indivíduos, agora mais atentos em gastar dinheiro, não deixarão, jamais, de procurar divertimento. É aí que os games reaparecem.
    No seu discurso na E3 2008, Satoru Iwata disse algo extremamente importante e que reforça a idéia da força do entretenimento: "Acredito que todos reconheçam que houve uma mudança no mercado de games global. Cinco anos atrás, em maio de 2003, tive minha primeira experiência com a E3 no cargo de presidente da Nintendo. Lembro-me muito daquele dia, pois eu sabia que todas as pessoas tinham visões pessimistas sobre o futuro da Nintendo. Aquele período não foi agradável e as pessoas estavam apenas usando o que o senso comum enxergava sobre o mercado de games. Preciso admitir que até mesmo os funcionários da Nintendo não imaginavam que cinco anos depois o mercado mudaria tão rápido, que poderíamos vender balanças de banheiro para todo o mundo". Essa passagem foi retirada do meu texto no Nintenerds.
    Portanto, teremos menos jogos ruins sendo lançados e as empresas darão de tudo para que os games façam o maior sucesso possível, ou então elas irão quebrar…

    Grande abraço!

    [Responder]

  7. IntentorNo Gravatar Says:

    Mr. Fabão!

    Poxa, não vai voltar com seus posts inspirados?

    [Responder]

  8. vitorNo Gravatar Says:

    ai fabao, parabens pelo blog bem legal, isso que vc falou ai é verrdade agente aqui no brasil sente , pois a microsoft falou que espera que varios titulos chegassem a 99,90 e outros 79,90 e isso nao aconteceu!!!
    to criando meu webcomic sobre gamers , ta ai o link da uma olhada la, ainda nao ta pronto ,mais vamos estar em breve, http://www.gamerlife.com.br

    [Responder]

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